FLUMANIA - A História do Fluminense - Capítulo IV - Ídolos
Manfrini
Manfra, ainda garoto, chega ao Flu
Um dos maiores jogadores que já vestiram a camisa do Fluminense, Antônio Monfrini Neto, o Manfrini, é paulistano da Moóca, onde nasceu em 23 de junho de 1950.
Menino ainda, fugia de casa para disputar peladas nos campos de várzea dos arredores, mas suas jogadas geniais invariavelmente eram interrompidas pela aproximação do DKW ("decavê") de seu pai, que, com um simples gesto -- o dedo apontando a direção de casa --, arrancava Toninho do sonho que era o contato com a bola e o levava de volta à realidade dos estudos.
Mesmo depois de Toninho ser convidado para ir jogar no vizinho Juventus, da própria Moóca, sua família ainda encarava o futebol como puro "hobby" de um garoto que estava destinado a só estudar e enfim seguir a carreira do pai, um bem-sucedido empresário do setor gráfico.
Mas quando a Ponte Preta, de Campinas, convidou Toninho para se tornar jogador profissional, a família de origem italiana percebeu que a coisa era séria, e que o melhor seria apoiar a decolagem do jogador.
Na Ponte Preta, Toninho passou a ser conhecido como Manfrini, e virou craque ao lado de Dicá e Roberto Pinto, sob o comando do técnico Cilinho.
Em 1972, aos 22 anos, Manfrini é emprestado ao Palmeiras, a poderosa "Academia", onde, na reserva, conquista o título de Campeão Brasileiro, além de conviver com o seu maior ídolo no futebol até então, Ademir da Guia.
No começo do ano seguinte, 1973, Manfrini chega ao Fluminense, iniciando um caso de amor de ambas as partes.
Com 13 gols, Manfrini é o artilheiro do Fluminense no Carioca de 1973, marcando inclusive o gol do título, o terceiro da vitória por 4x2 sobre o Flamengo, numa memorável noite de chuva torrencial caindo impiedosamente sobre o Maracanã. Consagrado como craque e perfeitamente identificado com a torcida tricolor, passa a ser considerado o substituto de Samarone para o Fluminense, e, também, para a Seleção Brasileira, o substituto de Tostão, que tinha abandonado o futebol no ano anterior.
Em 1974, Manfrini foi injustamente esquecido pelo técnico Zagalo na convocação para a Copa da Alemanha, o que acabou sendo a maior decepção da carreira do jogador.
No ano seguinte, 1975, com a chegada de Rivellino, contratado pelo tricolor, Manfrini tem a oportunidade de jogar lado a lado com aquele que era o maior jogador brasileiro, confirmando o que Rivellino já pensava de Manfrini há muitos anos: que era um jogador inteligente, de raciocínio relâmpago, enfim, o parceiro ideal.
O Fluminense mais uma vez é Campeão Carioca e Manfrini, mais uma vez, é o artilheiro do time, com 16 gols.
No final de 1975, Manfrini é, contra a sua vontade, envolvido num troca-troca com o Botafogo. Segue com Mário Sérgio para que venha para o Fluminense, Dirceu.
Na primeira vez em que enfrenta o Fluminense, Manfrini marca o gol de honra da derrota botafoguense por 3x1, e nem tem ânimo para comemorar.
Na final do Carioca de 1976, Fluminense x Vasco, o agora "botafoguense" Manfrini está na arquibancada do Maracanã, no meio da torcida tricolor.
Quando a cabeçada de Doval decreta o bicampeonato do Fluminense na vitória por 1x0, Manfrini vibra como se fosse um simples mortal tricolor, ele que, além disso, já estava para sempre guardado no coração dos torcedores do Fluminense como um dos melhores jogadores da história do clube das Laranjeiras.
Ídolo também em General Severiano, Manfrini defendeu o Botafogo até 1979.
Em 1981, jogou no Juventus, o mesmo Juventus da Moóca onde tudo havia começado, até encerrar a brilhante carreira de jogador e assumir o que o destino e seu pai há muito lhe haviam reservado: a condição de empresário do setor gráfico.
Manfrini hoje em dia costuma dizer que sua carreira no futebol teve uma grande decepção, uma grande identificação e um grande amor.
A decepção é não ter sido chamado por Zagalo para a Copa do Mundo da Alemanha, em 1974, quando era um dos melhores jogadores do futebol brasileiro. A identificação é a Ponte Preta, clube no qual Manfrini iniciou a sua carreira profissional e onde aprendeu muito.
E o grande amor é o Fluminense, que fez de Manfrini um ídolo, que transformou o jogador numa valiosa página do que há de melhor na história do Fluminense e do futebol brasileiro.
Participou de 157 jogos tendo marcado 61 gols.
Autógrafo de Manfrini
Obs. As informações sobre o jogador e fotos foram retiradas do acervo do FFC.