FLUMANIA - A História do Fluminense - Cinqüentenário Tricolor - 1952

Principais Eventos do Cinqüentenário do Fluminense

Em 1949 o Fluminense era agraciado com uma de suas maiores glórias: A Taça Olímpica. Três anos depois, em 1952, comemorava seu Cinqüentenário.

As festividades alcançaram pleno êxito e movimentaram a vida social e esportiva do clube.

Além do Presidente Fábio Carneiro de Mendonça, organizaram os festejos o Conselho Diretor, que tinha como destaque Affonso Teixeira de Castro, Nelson Vaz Moreira, Luiz Murgel e ainda importantes colaboradores como o Grande Benemérito Artur Antunes de Moraes e Castro - Laís, ex-jogador do clube e tricampeão carioca em 1917 – 1918 – 1919 e Campeão Sul Americano em 1922.


O Presidente Fábio Carneiro de Mendonça

O programa elaborado para as festividades teve início no dia 31 de maio de 1952, com o lançamento do livro História do Fluminense de Paulo Coelho Netto, tomo I, com 416 páginas de texto em papel boufont e 126 gravuras em papel couché tendo sido impresso na gráfica Borsoi. A tiragem foi de 5.565 exemplares, sendo 273 de luxo, com capa de pelica, numerados e autenticados pelo autor , e 5.292 da edição comum, também numerados.
O papel para impressão do livro, que abrangia o período de 1901 a 1951 foi doado pelo Conselheiro Antônio Leite e Paulo Coelho Netto abriu mão dos direitos autorais em favor do clube.


O escritor Paulo Coelho Netto

Houve também o lançamento da Edição Especial do Boletim Oficial do Clube, com 60 páginas de texto em papel couché com matéria consagrada e toda dedicada ao evento.

Ainda foram colocadas à venda na sede social, artísticas medalhas de bronze comemorativas, cunhadas na Casa da Moeda, ao preço de 50 cruzeiros e escudos confeccionados na Alemanha, vendidos a 30 cruzeiros.


A medalha comemorativa do Cinqüentenário ( anverso )


A medalha comemorativa do Cinqüentenário ( reverso )

Em julho de 1952 era realizada como parte integrante das comemorações de nosso Cinqüentenário a II Copa Rio, Torneio Internacional patrocinado pela Confederação Brasileira de Desportos ( CBD ) e pela Prefeitura da Cidade.

Em exposição filatélica de selos de esportes realizada no clube foi posta à venda o selo postal comemorativo do cinqüentenário com o carimbo da Diretoria Regional – DF – dos Correios e Telégrafos datado de 21 de julho de 1952. O governo fez a emissão de selos postais com valor de face de Cr$ 1,20, em cor azul, com tiragem de 1 milhão de exemplares e a inscrição:

“Brasil – Correio. Glorificação do Esporte – 1902 – 1952. Cinqüentenário do Fluminense F.C.”.

O desenho de autoria de Bernardino da Silva Lancetta, apresenta o símbolo olímpico colocado num retângulo da base que sustenta uma pira, na parte inferior. No centro, um atleta nos degraus que sustentam a base da pira, tendo ao lado cinco bandeiras, e, à esquerda, uma atleta correndo e empunhando o facho simbólico.


Selo comemorativo do Cinqüentenário


Exposição filatélica do Cinquentenário

A 18 de julho de 1952, foi realizado no salão nobre da sede social o banquete que reuniu tricolores de todas as épocas.

Na grande festa de confraternização o clube foi homenageado por representantes diplomáticos de nações amigas, presidentes de clubes e de entidades dirigentes do esporte. O Presidente da república Getúlio Vargas, fez-se representar pelo Dr. Geraldo Mascarenhas da Silva.

Durante o banquete a orquestra do maestro Ferreira Filho animava o festejo executando músicas que fizeram sucesso nas primeiras reuniões sociais do Fluminense como: It’s long way to Tipperary, La Bayadera, Whispering, Viúva Alegre e outras.

Na manhã de 20 de julho de 1952, segundo relato de Paulo Coelho Netto, o Estádio do Fluminense foi cenário da mais emocionante festa esportiva que o escritor tinha presenciado. A Artur Antunes de Castro ( o grande Laís ), coube a missão de organizar o desfile das três gerações de atletas tricolores – Passado, Presente e Futuro.


O emocionante desfile, sociais lotadas

Foi impecável, às 9 horas, iniciou-se o desfile de todos os atletas, tendo a frente a banda da Polícia Militar com a participação de três fundadores do clube: Álvaro Drolhe da Costa, Américo Couto e Júlio de Moraes, à época Grandes Beneméritos.

Desfilaram também a diretoria passada encabeçada pelo ex-Presidente Manoel Moraes e Barros Neto e a diretoria em exercício chefiada pelo Presidente Fábio Carneiro de Mendonça.

A bandeira do Brasil foi conduzida pela campeã Anita Licht e três outras atletas, trajando belos shorts e blusas de cetim, simbolizavam as cores da bandeira tricolor: Ana Lúcia de Santa Rita, a vermelha, Terezinha del Panta, a branca e Rita Ribeiro, a verde.


O desfile, em destaque a Srta. Terezinha del Panta vestida de branco


O desfile, em destaque a Srta. Rita Ribeiro vestida de verde


As atletas Ana Lúcia de Santa Rita, Terezinha del Panta e Rita Ribeiro, acompanhadas de de três fundadores do clube: Álvaro Drolhe da Costa, Américo Couto e Júlio de Moraes

O grande número participantes do desfile era composto por atletas do passado, que defenderam o Fluminense em qualquer modalidade esportiva; do presente que estavam disputando torneios pelo clube e do futuro, infanto-juvenis de ambos os sexos.


Os atletas do passado desfilam


Os atletas do presente desfilam para o público


Os atletas do futuro foram agraciados pelo Presidente e Vice do Fluminense Football Club

Terminado o desfile todos se perfilaram em frente a Tribuna de Honra, para início das solenidades.

Houve o hasteamento da bandeira do Brasil pelo grande benemérito Mário Pollo, representando o patrono do fluminense Dr. Arnaldo Guinle, ao som do Hino Nacional. A pedido do próprio Mário Pollo que encontrava-se com sua saúde debilitada, Fábio Carneiro de Mendonça içou o pavilhão brasileiro.


Fábio Carneiro de Mendonça iça a bandeira do Brasil

A primeira bandeira do Fluminense nas cores cinza e branca também foi hasteada pelo sócio fundador Álvaro Drolhe da Costa ao som do hino Oficial do Fluminense e, finalmente, houve o hasteamento da bandeira tricolor pelo Presidente Fábio Carneiro de Mendonça, ao som da Marcha da Vitória, executada por uma banda de clarins e salva de 21 tiros de canhão.

Em seguida foi feita a leitura por seu autor, o Grande Benemérito Mário Pollo, da mensagem dos tricolores de 1952 dirigida aos tricolores infantis, representando o futuro, e que será lida no Centenário do Fluminense:

"Mensagem:

Juventude Tricolor de 2002 !

Ouvi em silêncio e concentração a mensagem que da geração fundadora recebeu a juventude tricolor de 1952, formada no Estádio pelo Cinqüentenário do Clube, para vos ser transmitida e por vós lida, ao comemorardes o Centenário.
Enfileirados, ao nosso lado, compareceram os homens, que eram os jovens de julho de 1902. Mas a geração, que vos fala, essa já aqui não está mais. Tombou para sempre à imposição da natureza humana. Estais ouvindo, pois, na palavra viva dos mortos, o sentido imortal do espírito tricolor.
O momento não sofre a emoção das lágrimas. Recordai e evocai os que vos foram caros - pais, avós - sem a memória armada em funeral, mas na saudade colorida em festa.
O Fluminense de 2002 é o triunfo que continua. Temos certeza de que a juventude do Cinqüentenário soube cumprir a missão que lhe entregamos. E de que a Juventude do Centenário prosseguirá na obra comum de abnegação, de sacrifício, de amor à bandeira que se prosterna ante as mãos iluminadas que a abençoam do alto do Corcovado.
Voltai os vossos olhos para a imagem de Cristo, como a fixamos na hora da mensagem. Na convergência dos olhares de ontem e de hoje nós nos reencontramos no tempo e sobre a Terra.

Juventude Tricolor de 2002 !

Ouvi em silêncio e concentração o encerramento desta mensagem gravada no pergaminho da história. Revezai-a com a Juventude de 2052 para continuidade eterna da glória do Fluminense.

21.07.1952".


A mensagem aos jovens tricolores de 2002 e que ficou guardada por cinquenta anos


A mensagem foi lacrada em belo estojo de prata


A inscrição existente no estojo de prata que ficou guardado em nossa sala de troféus por cinquenta anos: Mensagem da juventude tricolor de 1952 a juventude tricolor de 2002 - 20.07.1952

Logo em seguida a leitura da mensagem houve uma revoada de pombos. O primeiro, solto isoladamente, simbolizava o portador da Mensagem dos tricolores de 1952 aos tricolores do Futuro. Em seguida uma revoada de pombos, simbolizando a geração de Tricolores do Futuro em busca de ensinamentos contidos na Mensagem, deu um tom especial ao Estádio.


Brant e Carlyle lêem para seus filhos a mensagem dirigida a Juventude de 2002 que ficou exposta na porta do clube


Posteriormente carregando um facho olímpico, os atletas do passado João Coelho Netto e Azalina Frias de Paula passaram em frente a tribuna, a tocha a dois atletas do presente, Rui Moreira Lima e Isaura Marli Gama Alvares; esses entregaram o archote após uma volta no Estádio a dois atletas do futuro, Silvio Luís Mendes e Vilma Carvalho de Almeida, que então acenderam a pira.

Seguindo o protocolo de eventos foi feito o juramento dos atletas, o passado representado pelo fundador Américo Couto, o primeiro goleiro do fluminense em 1902, o presente por Inah Bustamante Ferraz e o futuro pela menina Nina Rosa de Oliveira Menezes. O juramento foi escrito pelo grande João Coelho Netto:

“Passado:

Nós, do PASSADO, juramos ao PRESENTE e ao FUTURO que, enquanto em nosso corpo e nosso espírito houver algo para dar de sacrifício ao Fluminense e consequentemente ao Brasil, não fugiremos à luta e ao nosso idealismo.
Não estaremos no campo, porque caminhamos bastante pela estrada do tempo, mas juntos e vendo o horizonte de nossa intenção, EU JURO ! E vocês ?

Os demais atletas do PASSADO responderam: JURAMOS ! ! !

Presente:

Juramos pelo PRESENTE, porque é a nossa época, juramos pelo tempo que a vida nos der força para lutar, juramos porque saberemos respeitar o PASSADO, seremos também um pouco do FUTURO.
Nosso clube é a confirmação do nosso idealismo: ele é a Escola que forma um povo que será a força moral da Nação.
Eu juro pelo amor e pelo desejo de dar tudo pela bandeira de meu clube. E vocês ?

Os demais atletas do PRESENTE responderam: JURAMOS ! ! !>Futuro:

Somos novos, começamos a compreender o que é amor; amor é entrelaçamento de três épocas – avós, pais e filhos. Somos nós o FUTURO, a esperança, herdeiros de uma confiança e de uma moral.
Já sabemos o que é ideal – chama-se FLUMINENSE.
É uma bandeira, é o nosso curso primário de amor a Pátria.
Eu juro como criança: Juro, igualmente, que gosto de meus pais, juro que quero bem ao Fluminense, juro que terei em mira o mesmo ideal que os senhores tiveram. Eu juro ! E vocês ?

As crianças representando o FUTURO responderam: JURAMOS ! ! !

Em seguida houve um toque de corneta para um minuto de silêncio como homenagem póstuma aos sócios falecidos.

Seguiu-se saudação dos atletas das três gerações com o tradicional grito tricolor IU-RA-RÉ !

Encerrou-se então o desfile com a homenagem da banda da Polícia Militar, entoando o tradicional

“Parabéns pra Você”.

Muitas personalidades que ajudaram a escrever a história do clube estavam presentes: Félix Frias, sócio fundador e campeão em 1906/1908/1909; Alberto Borgerth e Píndaro de Carvalho Rodrigues, glórias do Flamengo, mas antes campeões pelo Flu em 1911; Flávio Ramos, fundador do Botafogo.

Mauro Pinheiro foi o mestre de cerimônias e provocou aplausos das sociais quando anunciou, com a voz embargada, a passagem pela Tribuna de Honra de lendários nomes tricolores da Velha Guarda comandada pelos tricampeões de 1917/1918 e 1919: Marcos, Vidal, Chico Netto, Laís, Oswaldo, Fortes, Zezé, Welfare, Machado e Bacchi. Só faltava Mano, ponta direita da equipe, já falecido.

Em 21 de julho de 1952 foi anunciado ao bairro de Laranjeiras o transcurso do Cinqüentenário do clube, às 6 horas da manhã ocorreu uma salva de 21 tiros de canhão.

Ainda ocorreram missa solene na Igreja de São Francisco de Paula e romaria aos túmulos de Oscar Alfredo Cox, Emanuel Coelho Netto ( Mano ) no Cemitério São João Batista. No mausoléu de Oscar Cox foi inaugurada uma placa de bronze com a inscrição: “Viver e não deixar uma instituição atrás de si não vale a pena viver. Oscar Cox dirigiu a fundação do Fluminense Football Club, que, no seu Cinqüentenário, aqui grava sua gratidão e saudade”.


Fábio Carneiro de Mendonça faz oração no mausoléu de Oscar Cox


Affonso Teixeira de Castro espargindo flores na campa do fundador do Fluminense Football Club

À noite, às 23 horas, no Salão Nobre do clube, realizou-se o tradicional Baile de Gala com a presença de convidados ilustres e muitas autoridades.

Filme institucional comemorativo do Cinqüentenário ( vídeo )

Obs. As informações e fotos foram retiradas do acervo do FFC.


Centenário Tricolor - 2002

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