FLUZÃO DE CARA NOVA
LANCE! mostra em primeira mão o ambicioso projeto tricolor para a sua sede
histórica
Caio Barbosa - RIO
Maior campeão do Rio de Janeiro e clube pioneiro na implantação do futebol no
Brasil, o Fluminense, cem anos depois de conquistar o primeiro de seus 30
títulos estaduais, pretende retomar sua vocação inovadora e dar início a uma
verdadeira transformação de sua imponente sede social. A intenção do presidente
Roberto Horcades é reunir, ainda este mês, um grupo de tricolores ilustres e
empresários dispostos a financiar a reforma total de seu patrimônio
arquitetônico e transformá-lo num centro cultural de referência para o esporte
nacional.
- O Fluminense passou, nos últimos anos, por um processo de autodestruição, o
que é um crime para a história do esporte e da cidade.
Nós vamos colocar o Fluminense de novo no seu devido lugar - empolga-se
Horcades.
O autor do projeto é Gustavo Marins, que na última eleição lançou sua
candidatura à presidência do clube, opondo-se a Horcades, mas logo após a
derrota fez questão de repassá-lo ao atual presidente, que o adotou de imediato.
Projeto prevê a construção de uma sede administrativa anexa a atual
- Isso mostra que o Fluminense é um só e está unido. Hoje, eu e Gustavo somos a
mesma pessoa, sem vaidades - garante.
A expectativa da diretoria tricolor é começar as obras no segundo semestre deste
ano e entregar o "novo Fluminense" à cidade no fim de 2007. O custo de todo o
projeto, que inclui a construção de um prédio na esquina das Ruas Álvaro Chaves
e Pinheiro Machado, para onde seria transferida toda a administração do clube, é
de cerca de R$ 9 milhões. A sede atual ganharia um novo salão nobre, auditório,
sala de vídeo, sala de troféus, galeria de arte, uisqueria, etc.
- O Rio de Janeiro ganhará mais um espaço destinado não só ao esporte, mas à
cultura, que está a cargo do produtor Ricardo Cravo Albim, que é nosso
vice-presidente cultural. Teremos algo à semelhança do Centro Cultural Banco do
Brasil (CCBB). O Fluminense e o Rio merecem isso - diz Gustavo Marins.
Flu era sinônimo de efervescência cultural
A construção de um centro cultural nas Laranjeiras vai permitir ao Fluminense
voltar a ser, como há décadas, parada obrigatória no circuito cultural carioca.
- Nas Laranjeiras já foi realizada até a ópera Aída, de Verdi, sem falar nos
grandes shows e bailes no salão nobre, que mobilizavam toda a sociedade. Numa
conversa recente que tive com a museóloga Rose Miranda, ela me disse que o
acervo do Fluminense é maior do que o de muitos museus europeus - explica
Gustavo Marins.
Para Marins, a construção de um moderno prédio administrativo bem ao lado do
casarão histórico não vai descaracterizar a sede.
- No Museu do Louvre, em Paris, é assim. Se a gente construir um prédio imitando
o padrão da sede, vai ficar caricato. Então, vamos construir um moderno, mas
harmônico. Ele será semelhante ao Museu de Dresden, na Alemanha prossegue
Marins.
A nova roupagem tricolor, segundo o idealizador do projeto, se refletirá até
mesmo dentro dos gramados.
- O Fluminense, que vivia no atraso, passará a caminhar rumo à modernidade em
todas as esferas, até mesmo no futebol, a nossa razão de ser. Este será o
primeiro passo para termos um CT decente, um estádio, etc. - vislumbra Marins.
Bate-Bola: Gustavo Marins
Pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz e torcedor roxo, Gustavo Marins garante que o ambicioso
projeto de restauração arquitetônica da sede tricolor, com a criação de um Centro Cultural e a
construção do edifício administrativo, sairá do papel ainda este ano.
1- Como e quando surgiu a idéia deste projeto ?
- Em 99, quando estávamos na Série C. Fiquei com medo de o Fluminense acabar, porque o time
era horrível, o clube ficou abandonado, a torcida desesperada e eu não admitia ver o clube
daquela maneira.
2- E por que demorou tanto a ser divulgado ?
- No início, achavam que era maluqice minha. Mas não é. Não é nada faraônico ou megalômano. O
custo (R$ 9 milhões ) não é tão alto e o projeto é de fácil execução. Na eleição prometi que
entregaria o projeto ao candidato vencedor. Mostrei ao Horcades, que adorou e entrou de cabeça
nessa história.
3- Mas você acredita que ele vá sair do papel ?
- Já está saindo. Ele já foi aprovado pelo Inepac ( Instituto Estadual do Patrimônio Cultural ) e
as certidões da comissão de projetos esportivos da Secretaria Estadual de Esportes estão saindo,
o que permitirá aos investidores através da Lei do ICMS e da Lei Rouanet, abater, no imposto de
renda, boa parte ( até 88% ) do que foi investido no projeto.
4- Já há empresas interessadas no projeto ?
- Claro. Só não estou autorizado a divulgar. Ter o nome associado a um projeto de tamanha
importância histórico-cultural é bom para qualquer empresa.