FLUMANIA - A História do Fluminense - O Carioca de 2002
O Carioca de 2002
No Campeonato Carioca de 2002, dois objetivos eram perseguidos pelos tricolores: sagrar-se campeão no ano de seu centenário, tarefa não conseguida por alguns clubes e, evitar a todo custo, um possível tetracampeonato do time da Gávea. Com a conquista, seria o vigésimo nono título
estadual do Fluminense que mantinha a total hegemonia de títulos no Rio de Janeiro.
Dois fatos muito tristes para todos os tricolores marcaram o campeonato deste ano: o falecimento, três dias antes da decisão, de Emílio Aguiar - o Ximbica - roupeiro do Fluminense, aos 55 anos de idade, sendo 36 deles dedicados ao clube e o de Guilhermino dos Santos, inesquecível Careca - o homem do pó-de-arroz, ídolo e torcedor símbolo de muitas gerações de tricolores.
Outros acontecimentos dignos de destaque no ano foram a conquista do penta campeonato mundial de futebol pela seleção Brasileira em terras da Coréia e do Japão tendo o Brasil na partida final vencido a Alemanha por 2 x 0; a eleição
do ex metalúrgico Luís Inácio Lula da Silva Silva, como Presidente da República Federativa do Brasil e a aprovação pelo Conselho Deliberativo do tricolor, com apenas um voto contra, de um terceiro uniforme do Fluminense na cor laranja para jogos amistosos e não oficiais e que já tinha caído nas graças da torcida e virado febre nacional, sendo ela o artigo esportivo mais vendido no Brasil em 2001.
Ao contrário das outras federações de futebol do país que priorizaram os torneios regionais deixando em segundo plano os estaduais, a FERJ resolveu ir em posição oposta ao bom senso, realizando o Estadual simultâmeamente ao Torneio Rio-São Paulo e a Copa do Brasil, o que resultou na necessidade dos grandes clubes cariocas iniciarem o campeonato do estado com seus times reservas, enxertados pelos atletas das equipes de juniores. Além disso, um inusitado regulamento previa que os quatro grandes do Rio - Fluminense, Flamengo, Vasco e Botafogo já estariam pré classificados para o octogonal que seria realizado após os dois primeiros turnos.
As Taças Guanabara e Rio, ambas vencidas pelo Americano, não despertaram qualquer interesse dos quatro principais times, tendo a mídia, incluindo as televisões e a própria entidade máxima do futebol do país, a Confederação Brasileira de Futebol, colocado o Estadual em plano secundário, além de incentivarem intensa campanha difamação contra a competição devido a contratos assinados para a transmissão do Rio-São Paulo e a Copa do Brasil.
O interesse do público na realidade só começou no chamado octogonal decisivo em que os quatro grandes já podiam contar com suas equipes principais e que de octogonal não tinha praticamente nada, já que só possuía três rodadas. As equipes forma divididas em dois grupos de quatro, jogando dentro de cada grupo, e de decisivo tinha pouca coisa, pois só; servia para definir os dois clubes de cada grupo que passariam para a semifinal.
Independente de tudo o Fluminense, no maravilhoso ano de seu centenário, alheio aos mandos e desmandos da FERJ e da campanha da mídia que dava ao campeonato o nome "Caixão 2002", alusão esta feita ao apelido do presidente da Federação de Futebol do Rio de Janeiro "Caixa D´água" -, não tinha nada com isso e cumpriu o seu papel. Venceu seus três adversários do Grupo B no Octogonal, Friburguense, Volta Redonda e Flamengo, este último que corria atrás do tetra e foi eliminado pelo tricolor após uma goleada de 4 a 1. O Tricolor entrou então na semifinal com a vantagem de poder empatar no tempo normal e na prorrogação para chegar à decisão do campeonato.
No dia 16 de junho, durante a Copa do Mundo, Fluminense e Bangu enfrentaram-se no Maracanã na semifinal e com o resultado de 0 a 0 o Flu partia para a decisão contra o Americano de Campos.
Este jogo deu o que falar. No final da prorrogação durante um ataque do Bangu o goleiro Eduardo dirigiu-se a área tricolor numa tentativa desesperada de
abrir a contagem para o time alvirrubro. Após a bola ser alçada na área o goleiro colocou a bola no fundo da rede claramente usando uma das mãos. Mas o
juiz Reinaldo Ribas acertadamente anulou o gol. O resultado de 0 a 0 levou o tricolor a decisão do campeonato. A partir daí criou-se um imbróglio e a batalha na Justiça Desportiva começou. No dia 19 de junho, o Bangu entrou com um recurso solicitando a paralisação do campeonato que foi imediatamente indeferido por José Pereira Antelo, presidente do Tribunal de Justiça Desportiva e também do Conselho Deliberativo do Fluminense, baseado no artigo 135, parágrafo único, do Código Brasileiro Disciplinar de Futebol que determina que nenhuma decisão do TJD pode gerar a suspensão de competições. No dia seguinte, 20 de junho, a pedido do Fluminense o Tricolor obteve um Mandado de Garantia assinado pelo próprio Antelo e que determinava que fossem realizadas as partidas finais do campeonato entre Fluminense e Americano. Apesar de diversas liminares circulando nos tribunais, no campo, o Flu venceu o Americano no dia 23 de junho por 2 a 0 e no dia 27 do mesmo mês por 3 a 1.
O titulo ficou sub júdice até o dia 14 de abril de 2009, quando após uma reunião do pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, por unanimidade (8 votos a zero), foi negado finalmente o recurso impetrado pelo Bangu que pedia a realização de nova partida contra o clube alvirrubro. Somente em 2010, Rubens Lopes da Costa Filho, novo presidente eleito da FERJ e que era presidente do Bangu em 2002, homologou o título do Tricolor carioca.
As partidas finais foram realizadas no Maracanã, e após duas vitórias por 2 x 0 e 3 x 1 o Fluminense sagrava-se pela vigésima nona vez Campeão Carioca e conquistava o título.
Os torcedores bradavam aos quatro ventos, Fluminense Bi-Campeão dos Centenários !
Da esquerda para a direita, em pé: Murilo, Maurício, César, Régis, Flávio, Marcão, Fabinho e Fernando Henrique; agachados: Fernando Diniz, Júlio César, Junior César, Marcos Brito, Roberto Brum, Carlos Alberto, Alan, Sidney, Roni e Magno Alves
O elenco e a torcida prestam homenagem ao roupeiro Ximbica
Resumo:
Clubes participantes: 12 ( doze )
Campanha: 28 jogos - 14 vitórias, 5 empates e 9 derrotas - 45 gols pró, 32 gols contra
Time base: Murilo, Flávio, Maurício, Régis e Roberto Brum ( Júnior Cesar ); Fabinho, Marcão, Fernando Diniz e Marco Brito; Magno Alves e Roni ( Agnaldo )
Artilheiro do Campeonato: Fábio- Volta Redonda (16 gols)
Artilheiro do Fluminense: Magno Alves, com 11 gols
Técnicos: Waldemar Lemos ( 11 ) e Robertinho ( 17 jogos )
Presidente do Fluminense: David Fischel
Fotos da Conquista
Magno Alves, artilheiro tricolor com 11 gols
O técnico Robertinho
O goleiro Murilo
Roni, atacante tricolor
O destaque da defesa, Régis
Roberto Brum, destaque na partida final
O tetra perseguido, conseguiram - Flu 4 x 1
César, também na zaga
Marcão, proteção a defesa
Fabinho, volante
Saudades de Guilhermino dos Santos - Careca
Homenagem a Emilio Aguiar - Ximbica
Comemorações - Magno Alves e Fabinho
Carlos Alberto, César e Magno Alves
A Taça de Campeão Estadual 2002, oferecida pela FERJ
Observações: As fotos são do acervo do Fluminense Football Club. Os vídeos foram gentilmente cedidos pelo Programa Momento do Sport. A torcida tricolor e o Fluminense Football Club agradecem a todos aqueles que permitiram o registro de nossas inesquecíveis glórias.