FLUMANIA - A História do Fluminense - Capítulo IV - Ídolos
Assis
O carrasco rubro-negro Assis com a camisa tricolor
Maracanã, dezembro de 1983. Fla-Flu decisivo do Campeonato Carioca, 45 minutos do segundo tempo, e o zero a zero que desclassificaria o tricolor, persistia teimosamente no placar.
Bola com Delei, lançamento para Assis, livre. A torcida tricolor, que já se preparava para ir embora, prende a respiração mais uma vez, na última esperança da vitória. Na saída do goleiro Raul, o toque de pé esquerdo, rasteiro, no canto direito. Delírio tricolor. Era o gol do título.
Benedito de Assis da Silva e o Fluminense foram unidos pelo destino. Nascido em São Paulo (12/11/1952), Assis nunca tinha brilhado pelos times onde jogara, apesar de passagens por grandes clubes como o São Paulo e o Internacional.
Já caminhava para o final da carreira quando o acaso o uniu com o baiano Washington no Atlético-PR. A dupla fez sucesso, e foi contratada pelo Fluminense para reforçar o time para o Estadual de 1983, onde foram logo apelidados de "Casal 20".
Cada vez mais entrosados, os gols começariam a surgir, muitos em jogadas combinadas que, apesar de simples, os adversários não conseguiam parar: lançamento pelo alto para Washington, bola de cabeça para Assis completar.
Era sempre assim, Assis foi o artilheiro do time naquela campanha com 11 gols e que culminou com o histórico tento no último minuto do Fla-Flu decisivo.
Mas Assis não pararia aí. No ano seguinte, ao lado de outros craques como Paulo Vítor, Ricardo, Branco, Delei e Romerito, comandou o Fluminense para o título de Campeão Brasileiro que o clube não conquistava há 14 anos. Aos 31 anos, Assis atingia então o auge da sua carreira, sendo inclusive convocado para a Seleção Brasileira.
Magro, alto (1,81m), e de pernas compridas, a primeira impressão que muitos tinham ao vê-lo correr em campo era a de um jogador desengonçado. Mas bastava tocar na bola para que se revelasse sua técnica apurada com o pé esquerdo, seu futebol simples que fazia o jogo correr, era o elo de ligação dos contra-ataques mortais do time, além de seu incrível dom para o jogo aéreo.
E foi com uma cabeçada espetacular que Assis repetiu a dose no Fla-Flu decisivo de 1984 e levou o tricolor ao bicampeonato carioca. Assis passava a ser definitivamente o "Carrasco do Flamengo", e durante muitos anos uma canção ecoaria no Maracanã lotado, em dias de Fla-Flu: "Recordar é viver, Assis acabou com você". Acabou homenageado por seus importantes gols na galeria da fama no Maracanã.
Jogou no Fluminense de 1983 a 1987, sendo Campeão Estadual 83/84/85, Brasileiro 84, Torneio de Seul 84, Torneio de Paris 87 e da Copa Kirin 87. Em 177 jogos marcou 54 gols.
Obs. As informações sobre o jogador e fotos foram retiradas do acervo do FFC.